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No rádio a velha fita de hardcore ainda me anima e me faz acreditar que a vida pode e vai ser melhor. É impressionante como velhas músicas de bandas como Face to Face, NOFX, Millencolin, AFI, que ali estão gravadas insistem em me libertar, pelo menos por alguns momentos, de minhas angústias, das minhas frustrações, dos meus medos e receios. É fascinante como três acordes e meia dúzia de berros me animam e me estimulam. Quem dera fazer isso por alguém.

A amplitude da música chega a ser espiritual, o auge de algumas me transcendem, e fazem eu me sentir mais próximo de Deus. Pode parecer exagero, mas pra mim é real, e este é o principal motivo pelo qual eu me dedico tanto a minha banda.

O esboço do meu cotidiano, o meu som é o retrato do que sou.

O Rancore surgiu em 2001 quando o Candinho convidou a mim e ao Renan para fazermos um som na casa dele depois da aula. A formação era: Candinho na batera, Renan no baixo e eu na guitarra e cantando. Depois do primeiro ensaio nos empolgamos tanto com o fato de estarmos fazendo música que decidimos continuar tocando juntos de vez em quando.
Para mim aquela formação estava ótima, até porque nunca pensei que sairíamos do fundo do quintal, mas o Candinho ficou me atordoando que queria tocar guitarra e que deveríamos chamar mais gente para a banda. Decidi que também não queria tocar guitarra, que queria ficar só cantando. Sendo assim agregamos ao conjunto o Edu, meu amigo de infância, e o Léo (Grilo) que eu havia conhecido na festa de uma grande amigo meu, o TxGx.
A formação mudou quase completamente: Eu no vocal, Candinho e Edu nas guitarras, Renan no baixo e Grilo na bateria.
Com esta formação fizemos nossos primeiros shows em festivais de colégios e afins, e gravamos nossas primeiras demos (bem amadoras).
Depois de um ano e meio tocando decidimos gravar nosso primeiro cd com alguma qualidade, que foi o Galo Insano (continha músicas como: Canção Emo (bicha) M.C., Valentino Caixa-Alta, Música Escrota, etc...). Nessa época a banda já tinha começado a atrapalhar nossos estudos e o pai do Renan decidiu proibí-lo de tocar, pois ele estava indo muito mal na escola e precisava estudar (não adiantou muito, já que naquele ano o Renan repetiu o segundo colegial). Acabei improvisando e gravei o baixo daquele cd.
O Galo Insano deu mais certo que a gente esperava, nossos amigos sabiam cantar todas as músicas, a Canção Emo ficou em terceiro lugar das mais baixadas no saudoso mp3.com, começamos a fazer mais shows e algumas portas se abriram para nós.
Vale ressaltar também que foi nessa época que chamamos o TxGx para assumir a posição de baixista, e mesmo sentindo a falta do Renan e inegável dizer que a entrada do TxGx foi essencial para a banda e para o andamento dos nossos projetos.
Com essa formação fizemos muitos shows e amadurecemos muito, a banda já ocupava um espaço primordial na vida de cada um dos cinco, começamos a nos preocupar mais com os detalhes para aprimorarmos cada vez mais nossas performances.
Em 2004 gravamos um single com duas músicas: Energia e Danos, soltamos na internet e criamos muita expectativa sobre essas músicas, o que acabou nos decepcionando um pouco. As primeiras brigas começaram a surgir, o estresse já estava sendo um fato do dia-a-dia, o relacionamento estava desgastado, o que é natural entre uma família, porém não tivemos maturidade suficiente para abafarmos essas intrigas. Com esse pano de fundo o Grilo decidiu sair e pouco tempo depois o Edu também decidiu que o caminho dele seria outro. A banda estava praticamente extinta, menos para o TxGx que nunca deixou de acreditar que o espírito do Rancore ainda estava vivo, e decidiu que ia arranjar um batera profissional.
Depois de insistir muito convenceu o Alê (Rufus The Dog, Houdini) a tocar, o único problema era que esse batera detestava hardcore, mas em consideração a nossa amizade ele se comprometeu a gravar um cd conosco. Alguns meses depois chamamos o meu vizinho Marcelo Cabelera para assumir a posição do Edu.

A amizade e o companheirismo entre os integrantes resulta em uma essência musical real, sincera e pura.

Durante todo o primeiro semestre de 2005 nos dedicamos a produzir um cd com nossa alma, nos esforçamos ao máximo para que cada música nele presente nos representasse alguma coisa. Extraímos o melhor de nós e o resultado foi lançado com o nome Yoga, Stress e Cafeína pelo selo Dalaranjaaocaos. Todas as músicas são inéditas e a música mais antiga presente nesse cd foi composta em março de 2004. No começo de 2006 TxGx deixa a banda para tocar outro projeto musical e ,após alguns testes, escalamos nosso amigo André Mindelis (Alemão) para ocupar a posição de baixista.
A base do som do Rancore vem das bandas californianas de hardcore, porém tentamos cada vez mais misturar esse hardcore com elementos musicais bem diferentes, como samba, música latina, metal, mpb, blues, parece pretensioso afirmar isso porém esses outros ritmos ficam claros quando se ouve o nosso cd.. Pudemos contar com músicos de peso fazendo participações especiais, como o percussionista Pixu Flores (Luciana Mello) , Daniel e Max (Envydust), Gee (Glória, Nxzero), entre outros chegados que deram o grauzinho no som.
O Alê acabou se envolvendo muito também nesse projeto, hoje é uma peça essencial para o nosso som, e seu contrato foi postergado sem data definida.


A inquietude em relação aos fatos. A credulidade deposta. Os anseios e as sensações do cotidiano. Esses são os principais temas que habitam as letras. Atribuo a elas uma importância muitas vezes maior do que a melodia em si. É o espaço que encontro para demonstrar quem sou e o que penso e por isso tento não desperdiçar em futilidades e cada vez mais me esforço para fugir do lugar comum.

A cena é robotizada. Todos querem ser iguais, as bandas hoje tem suas ações premeditadas, e o objetivo de tocar para a maioria delas é conseguir superficialidades como fama, ou dinheiro. Parece que a arte tem uma fórmula, um caminho único de ser. A vaidade faz muitos “artistas” se julgarem mais do que os que lhe admiram.
É isso que difere o Rancore, nossa ganância não é se destacar, ou ser melhor que alguém, não é obter luxo, muito pelo contrário, somos jovens iguais a qualquer outro que tem como principal objetivo e sonho fazer pelas pessoas o que as bandas da minha fita k7 fizeram por mim.

“(...) Queria poder mostrar quem eu sou, demonstrar as minhas idéias e minhas opiniões sobre como eu acho que as coisas poderiam e deveriam ser; mudar algo no mundo, tocar de alguma forma alguém (...) A melhor coisa que eu já fiz, uma força que eu jamais senti, é onde encontro a minha paz, é onde alivío a dor (...) Me entrego de corpo e alma, o meu som é o retrato do que sou (...) Quando tudo terminar, quando o fôlego se for, ainda terei minhas histórias; sobre o tempo que passei, sobre amigos que vivi, sobre a energia pura que me despertou; meu sonho sempre foi estar aqui, vendo você pular você sorrir, por segundos dessa sensação, eu digo que valeu.”
Estes fragmentos da segunda música do cd: "Odisséia", traduz grande parte do que a nossa banda significa para nós, porém só palavras não são suficientes para descrever, é preciso ver, ouvir e sentir. Depois de cinco anos de muita luta, fé e perseverança tenho certeza que o Rancore está pronto para se mostrar ao mundo e cumprir ao que se propôs. Somos uma família que tem apenas uma vontade: tocar.

O meu receio é não seguir meu coração. Me dê motivos para eu não acreditar.

Teco Martins

 

 

1-Yoga, stress, e cafeína
2- Odisséia
3-Inutilia Truneat
4-Déjà vu
5-Rubraglossina
6-Cicatrizes
7-Owitúzio
8-Os 5 segundos que precedem a sua queda
9-Álamo
10- Sobreviver
11- M.E.I


Teco Martins
- Voz
Marcelo Barchetta - Guitarra/Voz
Candinho Uba - Guitarra/Voz
Alexandre Iafelice - Bateria/Voz
André Mindelis - Baixo/Voz

 


 
14 / 06 - Limeira - Mirage
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